Resenha: A Teoria de Tudo (a história de vida de Stephen Hawking)

Com a notícia da morte de Stephen Hawking, físico britânico, aos 76 anos, nesta quarta-feira, 14 de março, me lembrei da experiência de ter assistido ao filme "A Teoria de Tudo", que traz recortes da vida deste, que é um dos cientistas mais conhecidos do mundo ao falar sobre o surgimento do universo, buracos negros e o Big Bang. Hawking foi exemplo de determinação ao resistir por muitos anos à esclerose lateral amiotrófica.


A Teoria de Tudo é um filme comovente e inspirador. O roteiro é a adaptação do livro que sua primeira mulher, Jane, escreveu sobre suas vidas, da época em que sua doença foi diagnosticada, até o começo da década de 90.

‘‘Era impensável que alguém apenas poucos anos mais velho que eu poderia estar enfrentando a perspectiva da própria morte. A morte não era um conceito que desempenhasse nenhum papel em nossa existência. Ainda éramos jovens demais para sermos imortais.’’ [Quote retirado da cinebiografia]

O drama biográfico tem início antes de Hawking (Eddie Redmayne) ser acometido pela doença que o privou progressivamente dos movimentos.

Alguns momentos relevantes: na faculdade, Hawking demonstra enorme talento para a Física Teórica; durante uma festa que ele conhece Jane (Felicity Jones), por quem se interessa. Acostumados ao estereótipo de que "os muito inteligentes são desajeitados para a conquista", nos surpreendemos: Hawking demonstrou desenvoltura ao abordar Jane, conseguindo conquistar a moça com sua originalidade e um tímido e divertido charme.



Com roteiro fugaz, não demora para notarmos os primeiros sinais de que há algo errado com o moço. O que acreditamos parecer fraqueza, rapidamente evolui, culminando em um acidente que leva Hawking a buscar ajuda médica.

Apaixonado por Jane (e isso é recíproco), o rapaz é diagnosticado com a doença do neurônio motor, uma disfunção degenerativa progressiva. Nela, os sinais que o cérebro emite e recebe para nos possibilitar o movimento são interrompidos. Em conversa com o médico, Hawking questiona sobre o funcionamento do cérebro, para sua alegria, descobre que a doença não afeta o seu funcionamento. Poderia, assim, infiltrar-se pelo mundo do conhecimento por quanta vida ainda lhe restasse.

Com uma estimativa de vida de dois anos, Hawking decide isolar-se do mundo e se afastar da amada, por acreditar que não pode haver futuro com ela. Mas Jane persiste ao lado dele, mesmo estando levemente perturbada com a degradação física iminente.

A rápida evolução da doença mostra Hawking sem controle do corpo. Um rapaz jovem e brilhante tendo que se adaptar a uma vida mais lenta, com um corpo que não acompanha sua mente. Isso é bastante incômodo ao espectador. Mas lição importante, - e que é crescente na trama -, é o senso de humor afiado do protagonista em lidar com as situações rotineiras.



Com ótima sintonia em todas as atmosferas, o filme é prato cheio para agradar ao público heterogêneo. Trilha e atuações impecáveis, enredo bem desenhado e fluido, edição perspicaz. São revelados recortes dos principais momentos da vida e obra de Hawking, sem se ater aos momentos pormenores.

O filme teve 5 indicações ao Oscar 2015: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora.


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