Resenha do filme "Fragmentado" [Split], de M. Night Shyamalan


É premissa humana tentar entender o funcionamento de si mesmo e das coisas ao seu redor; desvencilhar o indivisível e ir cada vez mais além em conhecimento. Em "Fragmentado", o diretor M. Night Shyamalan (“O Sexto Sentido”) deixa claro o objetivo de deslizar nas profundezas da mente humana em um longa de provocar muito burburinho.

Todo o desenvolvimento da trama passa pelas variações de personalidade do protagonista, interpretado por James McAvoy. Apesar de tantos perfis distintos (são 23 citados), todos habitam o mesmo corpo: o de Kevin. O espectador precisa estar atento aos detalhes de interpretação para perceber qual personagem está nos holofotes em determinado momento. Isso, por meio de leves mudanças de postura e gestuais estilizados.

“Eu posso ficar na luz sempre que eu quiser, é um poder especial.”

É preciso deixar claro, porém, que das 23 já manifestadas para a psiquiatra, Dr. Fletcher (Betty Buckley), somente sete nuances são bem exploradas. E a mais temida delas, a vigésima quarta, está programada para se materializar e dominar todas as outras.

Na história, o protagonista sequestra três adolescentes em um estacionamento. O desenrolar da ficção fantástica gira em torno de elas conseguirem ou não escapar do cativeiro, que é mantido sob a guarda das personalidades.


Em algumas cenas, uma das personalidades de Kevin, Hedwig, uma criança de oito anos, dança no quarto. Fora de contexto de uma doença mental, o Transtorno Dissociativo de Identidade (TDI), seria engraçado, mas é desonrante em cena. E este questionamento é um tiro certeiro na obra.

Uma das adolescentes sequestradas, Casey Cooke, interpretada por Anya Taylor-Joy, é ricamente inserida no suspense. Em vários momentos, flashbacks mostram o quão conturbada foi a infância da menina e como isso fragmentou o seu momento atual. Ela acaba por se identificar com Kevin em vários momentos, buscando entender os seus anseios. Ela, tantas vezes, passa a ser o coração que pulsa na narrativa.

A partir dessa premissa, baseada nas faces de Kevin, com a presença dos elementos do horror psicológico, o espectador é convidado a ser paciente para compreender as motivações e os traumas do personagem. Tudo isso sendo permeado por desníveis entre amor e ódio, e eminente ameaça física.

 “Os que sofrem são os mais evoluídos”, diz uma das facetas de Kevin.

Um filme inteligente, que nos faz questionar. Isso, para mim, é o essencial em uma obra audiovisual.

Vocês já assistiram? O que acharam?

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