Resenha: 13 Reasons Why


13 Reasons Why é a adaptação da Netflix do best-seller homônimo de Jay Asher. A série, em treze episódios, segue a história de Clay Jensen, adolescente que encontra uma caixa com fitas cassetes na porta de casa. Nas gravações, Hannah Baker, colega de classe, de trabalho e paixão platônica de Clay, lista os treze motivos que a levaram ao suicídio, cometido duas semanas antes.


Nos áudios, que relatam as experiências e mágoas de Hanna, conhecemos sua versão sobre os fatos. Cada personagem, antagonista dos feitos que a motivaram a por fim à própria vida, vai sendo apresentado aos poucos ao espectador. Em cada um dos episódios, são destrinchadas algumas das características dos jovens que teriam machucado Hannah em sua trajetória de High School. A história é contada em dois momentos (passado e presente) em um enredo que, apesar de gerar curiosidade, é linear e despretensioso.

Falar sobre temas como estupro, depressão, ansiedade, solidão e suicídio ainda gera indisposição em muita gente. Talvez o ponto positivo da obra esteja aí: evidenciar esses fatos tais como acontecem, sem eufemismos. Mas é melhor não ir com muita expectativa. Digo isso, porque as minhas foram quebradas facilmente.

A história da série poderia ser contata em um longa-metragem. Há demasiadas repetições de sequências. Se estas pudessem revelar um outro olhar sobre a cena, seria de grande valia. Mas, não. Há uma quebra de ritmo entre um episódio e outro; alguns, são bem arrastados, e não trazem novidade à trama.



Claro que a assimilação do espectador ao drama da personagem principal é uma questão de experiência de vida. Uma obra não tem os mesmos significados para autores e público. Cada pessoa toma posse daquilo que vê. No meu caso, não consegui me envolver na verdade de Hannah sem questioná-la. Mesmo porque parte da versão dela é desmascarada em episódio da trama.

É preciso entender o que se passa com cada um dos tidos como "vilões" também, e isso a série não explora como deveria, nesses treze episódios. Tantos dos personagens que causaram dor à Hannah, também sofreram em seu percurso para chegarem ao que são: o medo de ser discriminado criou mentiras nocivas, a rejeição criou obsessão, o medo da verdade criou bloqueios destrutivos e vícios. Não digo que a personagem não teria motivos (apesar de achá-la mimada em alguns momentos, uma heroína que romantiza o suicídio, uma donzela à espera de atenção/da salvação), mas que, há privilégio sobre uma versão dos relatos. Claro que era para ser assim... Mas vale refletir.

O mais desmotivante foi ver a série caminhar para um clímax desanimador. Não há nada que aconteça para além do aguardado.

Mas nem tudo é tão ruim. A série é bem dirigida e faz uso de truques inteligentes no design de produção (ao incluir um ferimento na testa de Clay no presente, para facilitar a leitura de digressões de tempo, por exemplo). A série também abre um leque para que esta discussão esteja cada vez mais presente em âmbito escolar, entre crianças e adolescentes, mas também entre adultos. O suicídio adolescente já é endêmico, fruto de uma sociedade que excede nas comparações e evidencializa a rivalidade.

A tecnologia trouxe muitos benefícios, mas também proliferou segredos, nossa privacidade, os boatos, sofrimento, reclusão. O cyberbullying está mais presente do que imaginamos! Por isso, a série é um belo alerta (em mídia de fácil acesso) àqueles que precisam de ajuda. 

Outro ponto positivo é que nos leva à reflexão sobre a forma com que tratamos o outro. Nunca sabemos por quais lutas alguém está passando! Um simples gesto ou uma simples palavra pode ecoar de forma catastrófica para outrem.

13 Reasons Why (EUA, 2017), de Brian Yorkley. Drama. 13 episódios. 58 minutos (cada). Com Dylan Minnette, Katherine Langford e Christian Navarro.

2 comentários:

  1. Muito bom! Comecei a assistir mas estava com um pouco de dúvida. Você esclareceu tudo muito bem! Sucesso!

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    1. Obrigada! <3 Depois deixe aqui suas impressões também! Um beijo.

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