Resenha: Placas Tectônicas, de Margaux Motin


Recentemente lançada, a graphic novel da Editora Nemo, Placas Tectônicas, da autora e ilustradora francesa Margaux Motin, 35 anos, é um romance autobiográfico. O livro, o primeiro da autora lançado no Brasil, retrata a busca pelo eu interior, logo após o divórcio. É o espelho da personalidade que foi abandonada no dia do casamento e recuperada, quando ela encontra um novo romance e o amor próprio.

No altar, Motin deixou de dar importância ao lado adolescente de ser para assumir uma postura mais séria e responsável, como esposa, profissional e mãe. As maluquices e a alegria nas pequenas coisas ficaram para trás, numa vida que passou a ser monótona, como ela mesmo deixa transparecer. Nesse ponto, o divórcio figura como uma alavanca para que ela resgate o controle sobre si própria - e sobre fazer o que der na telha também, em um forte apelo feminista.
Nesse reencontro consigo mesma, ela passa por muitos percalços, tantas vezes agindo como uma garotinha de 14 anos a descobrir as facetas do mundo. Exagera na(s) dose(s) e, com muito humor, detalha a realidade de seus dias, por meio da sua rotina de trabalho como ilustradora, sua relação com a filha de seis anos, os pensamentos mais pessoais e as amizades.

A sinceridade do romance conquista fácil a maior parte das mulheres, pois a autora fala de coisas banais e sobre as quais não confessamos pensar. Você certamente vai rir de si mesma em várias ocasiões.


Espirituosa, infantil e em busca do equilíbrio emocional, a protagonista tem comportamentos loucos, engraçados, e tudo bem próximo da rotina da leitora. Isso traz grande identificação, o que garante boa imersão na leitura.

Sobre a autora:

Nascida em 1978, é desenhista e quadrinista. Depois de estudar Artes na ENSAAMA Olivier-de-Serres, Margaux fez vários bicos antes de se lançar na ilustração para imprensa e para publicidade. Criou um blog em março de 2008, e seu humor truculento se transformou rapidamente em um grande sucesso. É autora de diversas graphic novels e histórias em quadrinhos, como J’aurais adoré être ethnologue… e La Théorie de la contorsion (ambas pela Marabout). Placas tectônicas é seu primeiro livro publicado no Brasil.








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