Medo do amanhã


Quando penso nos medos que ainda quero superar, certamente um deles, talvez o mais difícil de se vencer, seja o receio do amanhã. 

A filosofia diz que sábio é aquele que vive o hoje, sem se atormentar com o que pode acontecer. Mas é uma tarefa complexa para aqueles que são ansiosos.

O futuro é fonte de inquietação permanente para a maioria de nós. Abster-se de pensamentos sobre o destino das coisas poderia aliviar nosso corpo e mente de desequilíbrios. Mas tememos perder o emprego, tememos a doença, a morte, o colapso dos nossos planos, as rugas, tudo aquilo que mais preservamos. É como se todos aqueles planos para o futuro, aqueles sobre os quais eu passo noites imaginando, fossem tão frágeis que poderiam, a qualquer momento, se desmanchar, cair em pedaços sobre o chão, desfragmentar-se.

Sofro quando penso no fim daqueles que tanto amo, porque não sinto que fui o melhor de mim. Que não me reconheci completa enquanto filha, irmã, esposa e amiga. Isso justamente porque, pensando em como poderia ser alguém melhor, deixo de viver o eu, na minha mais simples e livre versão.

"A imprevidência é uma das maiores marcas da sabedoria” (Epicuro)

O medo do amanhã implica viver um aqui e agora em pedaços: aí há resquícios fortes de passado e expectativas exageradas sobre o futuro. Em diversos pensamentos, é pertinente o conceito de que o passado, como ficou para trás, já não existe. E o futuro, como ainda está por vir, também não. Portanto, é mais inteligente viver o presente. A cada dia, bastam seus problemas. 

Mas, como tantas outras coisas, é mais fácil escrever que praticar. O mundo neurótico sobre o qual arrastamos-nos, coloca-nos cercados de planos, quer na vida pessoal, quer na vida profissional, e isso traz mais desassossego que realização. O sofrimento por antecipação só tem como objetivo deixar a vida ainda mais cruel.

É preciso enfrentar um dia por vez, porque o mundo não conhece o amanhã. Estamos todos no mesmo barco, pisando sobre o mesmo chão, compartilhando as mesmas emoções e lutando contra os mesmos males.

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