Sapatos e amores


Dizem por aí que amar se equipara a adquirir aquele sapato tão almejado: os melhores são também os que machucam mais. E, quanto mais alto o salto, mais difícil é voltar a colocar os pés no chão, quando então o show acaba.

Mas eles também precisam ser o nosso número, a fim de que evitemos calos, tropeços ou o excesso de liberdade que os sapatos e os amores frouxos nos dão.


Também não adianta se contentar com a beleza, levar para casa e inventar mil maneiras de deixá-los mais confortáveis aos pés. Eles não mudarão só porque nos apaixonamos por eles. Continuarão ali, guardadinhos no armário, ou serão descartados, à espera de outro pé para calçá-los.

Eles precisam ser bastante companheiros, precisam ser nosso apoio e suporte para os caminhos pela frente. E se aquele sapato não se mostrar confiante, rompendo-se no meio desse trajeto, esqueça-o, e nem tente levar para consertar, porque já não serve mais.

Que os sapatos (e os amores) nos elevem sem nos machucar, nos façam dançar por oito horas em uma noite sem nos calejar; que eles nos protejam contra os percalços e que nos façam ir mais longe.

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